sexta-feira, 17 de setembro de 2010

boca do inferno



uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
um computador
nem que seja pós/moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um fiilho
deixa eu amar a lídia
que a medíocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

por mais que te amar seja uma zorra
eu te confesso amor pagão
não tem de ter perdão prá nós
eu quero mais é teu pudor de dama
despetalando em meus lençóis

e se tiver que me matar que seja
e se eu tiver que te matar que morra

em cada beijo que te der amando
só vale o gozo quando for eterno
infernizando os céus
e santificando a boca do inferno

o que é que mora em tua boca bia
um deus um anjo ou muitos dentes claros
como os olhos do diaboe uma estrela como guia?

o que é que arde em tua boca bia
azeite sal pimenta e alho
carne krua do kralho
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?

o que é que pulsa em tua boca bia?

mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rio de águas sujasonde os peixes se apagam
ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta/delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca boca bia?

Artur Gomes
http://blogdabocadoinferno.blogspot.com/


esfinge

o amor
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele

um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele

cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
clarisse/beatriz

assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos

se um dia falta coragem
a noite sobra do medo

na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente

o nome tem seus mistérios
que se esconde sob panos

o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve

o mar que vai e vem
não tem volta

o amor e a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca e a porta
onde o poema não tem fim

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

Rio em Pele Feminina

o rio com seus mistérios molha meu cio em silêncio desejo o que nos separa a boca em quantos minutos as flores soltas na fala o pó dos ossos dos anos você me diz não ter pressa teus olhos fogo na sala o beijo um lance de dados cuidado cuidado cuidado não beije assim meus segredos meus olhos faróis nos riachos meus braços dois afluentes pedaços do corpo no rio meus seios ilhas caladas das chamas não conhece o pavio

se você me traz para o cio assim que o sexo aflora esta palavra apavora o beijo dado mais cedo quebra meu ser no espelho meu cerne é carne de vidro na profissão dos enredosq uando mais água me sinto presa ao lençol dos seus dedos

o rio retrata meu centro na solidão de mim mesma segundo a segundo nas águas lá onde o sol é vazante lá onde a lua é enchente lá onde o sol é estrada onde coloca seus versos me encontro peixe e mais nada

arturgomes http://braziliricas.blogspot.com/

SagaraNAgens Fulinaímicas

guima meu mestre guima em mil perdões eu voz peço por esta obra encarnada na carne cabra da pesteda hygia ferreira bem casta aqui nas bandas do leste a fome de carne é madrasta ave palavra profana cabala que voz fazia veredas em mais sagaranas a morte em vidas severinas tal qual antropofagia teu grande sertão vou comer

nem joão cabral Severino nem virgulino de matraca nem meu padrinho de pia me ensinou usar faca ou da palavra – o fazer a ferramenta que afino roubei do mestre drummundo que o diabo giramundo é o narciso do meu ser.

Artur Gomes http://fulinaima.blogspot.com

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