quarta-feira, 12 de maio de 2010

urbanicidades


asfalto
uma palavra quente
mesmo quando chove
ex-fria piche nos ossos

janelas
:
de concreto/carne
neste corpo/casa
que não mais me habita

arturgomes
http://artur-gomes.blogpspot.com/



Ind/gesta

uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
quero um computador
nem que seja pós moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lídia
que a mediocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

fulinaíma blues poesia
Artur Gomes, Luiz Ribeiro e Fil Buc
Dia 21/5 em Macaé na
III Feira de RSE Bacia de Campos
http://www.feirarsebaciadecampos.com.br/
Veja programação aqui: http://goytacity.blogspot.com/

beijo o céu da tua boca agora já é outro instante depois de fechar e abrir esta janela para o nada ou para tudo que já veio ou inda virá na vera cruz destes escombros que não mais cidade ainda mordo com os dentes que me resta carnes e frutas bagaços de um sentido solto quando a toalha sobre a mesa não cabe nas metáforas

foto pele grafia

meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
faca na língua língua na faca
a febre em patas de vaca
unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
na tua língua de coentro
tempero sabre de fogo
qualquer paixão reinvento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma/esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/

as vezes não penso o que escrevo e escrevo o que não penso o vôo da gaiovota na ilha da conceição ainda vive na memória a travessia o peixe dovorado com pirão cachaça cerveja e o papo com rodrigo mebs depois que adília voltou para o continente ainda floripa depois de tantos meses já tão idos ontem com os nervos elétricos em fios de alta tensão andei focando ventos e moinhos que ainda não se foram

favela beira mar

meu desespero tanto faz neste outono quase inverno. Beber do Rio e muito mais se aqui verão virou inferno.

jacaré leblon

miro a metralha palavra reta no olho da quadrilha se existe Deus então que salve pai e mãe irmão e filha ou que restar desta família No Rio Minas Guarapari ou Pernambuco Acre São Paulo Belém Brasília Espírito Santo.

O canto torto é qualquer pranto. Pela mocinha ferida ou o garotinho drogado ou o ser humano está perdido ou nosso deus está dopado. o incêndio coletivo corroeu a carne e o Estado. na flor da pele do cinema mais um poema estilhaçado.

profanalha nu rio
A flecha de São Sebastião como ogum de pênis/faca perfura o corpo da Glória das entranhas ao coração do catete ao largo do machado onde aqui afora me ardo como bardo do caos urbano na velha aldeia carioca sem nenhum a palavra bíblica e muito menos avária orgasmo é falo no centro lá dentro da Candelária

In ETA (antologia de Estudos de Trangressões Avançadas)


quando penso o poema tenso fio suspenso no ar quando teso o poema fica preso peixe surpreso no mar


antropófago

falo
como se goitacá ainda fosse
corpo esculpido em arte
e
com minha língua lambesse
com minha tinta pintasse

a tua estrela de vênus
a tua carne de marte.

bolero blue

beber desse conhac em tua boca para matar a febre nas entranhas entre os dentes indecente é a forma que te bebo como ou calo e se não falo quando quero na balada ou no bolero não é por falta de desejo é que a fome desse beijo furta qualquer outra palavra presa como caça indefesa dentro da carne que não sai.

boi pintadinho

... E lá vai o boi com seus olhos tristes feito mãe cansada da estrada e da vida, vai carregando dor nos olhos, cabisbaixo com medo de levantá-los e ser o primeiro a enfrentar a faca ou quem sabe, a forca.

Lá vai o boi de arado boi de carro boi de carga boi de cerca boi de canga boi de corda boi de prado boi de corte. Boi preto boi branco lá vai o boi pintadinho...

lá vai o boi na tua consciência triste e solitária olhando os que passam com medo de levantar a voz e colocar o seu mugido na consciência dos outros.

Lá vai o boi no teu passo manso, dança na contra-dança com certeza que a esperança é muito mais do que aquilo que já te foi predestinado.

Lá vai o boi-pintadinho... lá vai o boi... boi Antônio boi Joana boi Maria boi João. Boi Thiago Boi Ferreira Boi Drummond e Boi Bandeira, e tantos outros bois que conheci por este país afora... que sabendo ou não sabendo cada boi tem sua hora.

Lá vai o boi com teu jeito manso no equilíbrio manco que me inspira e desespera... vai para o cofre, ele sabe disso. Vai para o açougue ele sabe disso.

Vai pra balança e nem parece equilibrista mas já conhece o seu destino. Lá vai o boi -pintadinho... E lá vai o boi atravessando as ferrovias nos vagões de ferro. Vai carregado de marcas pelo corpoe agonia até a alma.

Levanta meu boi levanta que é hora de viajar a corda boi povo todo povo e boi tem que lutar...

Levanta meu boi operário boi do martírio e do salário boi da enxada e do horário boi da cangalha no pescoço boi de carne, boi de osso servindo o prato da serpente boi da lama boi do fosso boi indgesto e indigente.

levanta meu boi de fardo boi de cerca boi de carga boi de canga boi de corda boi de força boi de farça boi de farra boi de forra boi de festa boi de ferrol evanta meu boi de sina boi de pavio espantalho boi de pano levanta meu boi de palha boi de circo boi de sonho boi selvagem boi de plano levanta meu boi de barra boi de birra boi de barro boi de berro.

Levanta meu boi pintado homem palhaço mascarado máscara de animal e desengano mas homem nenhum desalmado se mostrará com a nossa face se cobrirá com os nossos panos

Levanta meu boi de prata boi de prato boi de pranto boi de prego boi de arame farpado boi de carga e de arado boi joão desempregado de terno inferno e gravata boi sem livro boi sem ata boi de safra boi de cofre boi de carta boi de corte: boi de carne ferida mugindo de sul a norte, boi que nasce pra vida e a gente engorda prá morte.

in auto do Boi Pintadinho

Prêmio Mec - 1980

meto meus dedos cínicos no teu corpo em fossa proclamando o que ainda possa vir a ser surpresa porque amor não tem essa de cumer na mesa é caçador e caça mastigando na floresta todo tesão que resta desta pátria/indefesa.

ponho meus dedos cínicos sobre tuas costas vou lambendo bostas destas botas neoBurguesas porque meu amor não tem essa de vir a ser surpresa é língua suja/grossa/visceral/ilesa pra lamber tudo o que possa vomitar na mesa e me livrar da mínguadesta língua portuguesa

funk dance funk

a noite inteira inVento Joplin na fagulha
jorrando Cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
Fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do BraZil

rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos
para os íntimos
concretudo versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração

quando ela canta eleonora de lennon
liliby seqüestra a banda no castelo de areia
quando ela toca
o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo
que aprendeu com Mallarmè

punkrEreção punkada
onde estão nossos negrumes
nukrEreção negróide nada
descubro o irado tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a fina flor do pau pereira

antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra

ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!


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