sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pontal multimídia volta à tela da TV

Por Aluysio Abreu Barbosa
http://www.fmanaha.com.br

Sucesso superior às previsões mais otimistas de diretor, autores e atores, o espetáculo “Pontal” continua a desaguar sua confluência de águas entre teatro e poesia. Encerrada a temporada no Bar do Bambu, em Atafona, a gravação da apresentação do dia 5, talvez a melhor entre as nove encenações e certamente a que contou com maior público, reforçada pela interpretação de Artur Gomes (aqui), será exibida pela Plena TV, canal 21 da Via Cabo.

Amanhã, sábado, dia 20, a exibição ocorre às 17h, 20h e 23h; no domingo, dia 21, às 10h, 17h, e 23h. Na semana seguinte, vai ao ar na sexta-feira, dia 26, às 13h, 20h e 23h; além do sábado, dia 27, às 17h, 20h e 23h; e do domingo, dia 28, às 10h, 17h e 23h.

Além disso, na próxima quinta-feira, dia 25, a gravação será apresentada, a partir das 21h, no Bar-bearia (ou Bar do Nico), na av. Alair Ferreira, prolongamento da av. 28 de Março, nº 304, no lançamento do projeto Cine de Quinta. Antes de “Pontal”, serão exibidos também os curtas “Efígie”, de Carlos Alberto Bisogno, e “Consumatum”, de Luiza Magalhães. Ambos têm o ator Yve Carvalho no elenco, que organiza o projeto e interpretou “Pontal”, ao lado de Sidney Carvalho e Artur, todos sob direção de Antonio Roberto Kapi (aqui).

Outro dado relevante é que com a entrada do Artur, na última semana, também como ator, outro poema seu acabou integrando o espetáculo, em substituição a “órbita de hal”, de minha autoria. A “Pontal”, poema escrito por Gomes nos anos 70, se somou “pontal.foto.grafia”, visão do poeta da mesma faixa de areia entre o rio Paraíba do Sul e o oceano Atlântico, mas após o avanço deste, duas décadas depois.

Como todos os poemas que compuseram as seis primeiras encenações já foram devidamente transcritos neste blog (aqui), seguem abaixo os novos versos que passaram a fazer parte da peça junto com a interpretação de Artur…

pontal.foto.grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas
relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR

caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud — África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui.

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

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