sexta-feira, 17 de julho de 2009

o risco

atravessar as portas
ultrapassar janelas
paredes muros cidades
o risco
de te matar
saudade
dentro da boca que quero
de penetrar garganta
laringe esôfago estômago
enquanto
dançamos bolero
sendo um tango
enquanto fado
arrisco
o beijo guardado
num copo de vinho
ou de menta
sabor de pimenta
e alho
e o doce mel da pimenta
enquanto a palavra
entra
pelos teus olhos e abras
teu cais do porto
fechado
arrisco
meus dedos e dados
nos lances mais atrevidos
dos nossos sextos sentidos
por tudo que foi esperado

Jura secreta 83

quando
dentro
de ti me concentro
todo meu corpo tece
o que o poema esfinge
e o grau máximo
do furor atinge
o sagrado ser que invento
teu lado em meu lado
o centro
parte da mesma parte
posso dizer que é vida
e podes crer que é arte

Jura secreta 82

tudo que eu quero em outubro
deixar que flua a semana
como flor de lotus que brota
quando se rompe a semente
ou minha língua entre dentes
em tua carne de seda
em tua boca veludo
neste poema nem tudo
cabe de mais abstrato
por tão concreto
que falo
como se em meu corpo
estivesse
e jura apenas não fosse
a tua língua tão doce
beijar meus lábios quisesse

Jura secreta 81

ainda a tarde
onde tudo no teu corpo arde
e entro
porta entre mar de pêlos
e dentro
a sílaba da palavra
grita
o canto
explode como gozo intenso
e suspenso o grito
que sustenta a fala
vaza
pelos teus cabelos
pelas tuas coxas
pelas tuas costas
e nas encostas
litoral que estamos
salvador
não fica mais ali
defronte o farol
é barra
o mar já engole os peixes
e peixes
não moram mais no mar
eu grito
porque tenho fome
e canto porque tenho sede
de amor de fogo e sexo
escrevo porque não me calo
e falo que calar não posso
só dia em que este mar for nosso
descanso
minha profana escridura
na carne crua do teu colo

Artur Gomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

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