terça-feira, 1 de julho de 2008

Jura secreta 27

o rio com seus mistérios molha meu cio em silêncio
desejo o que nos separa a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala o pó dos ossos dos anos
você me diz não ter pressa seus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados

cuidado cuidado cuidado que sou um anjo de fadas
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo do rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio

se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora
o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos
quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos

o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas

lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada

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