quinta-feira, 14 de novembro de 2019

pátria que pariu



pátria que pariu
para Rubens Jardim

os dentes das pedras
mordem a língua
dos meus dias obscuros

esse país teve passado
         não tem presente
         nem tem futuro

peixe é bicho inteligente
foge do óleo criminoso
               derramado
nos mares do nordeste
- eita peixe caba da peste!

nem sei em que planeta
estamos  hoje
nessa infernal atmosfera

capitão boçal pede desculpas
pelas cagadas dos 3 filhos

Aí 5 é apenas os centímetros
que um deles carrega
pendurado entre as pernas

esperma já virou porra
nesta pátria que pariu
a besta fera



y love song baby


em imburi o vento sopra
gosma de tapioca
manga mandioca abacaxi
são francisco do itabapoana
não me engana
minha língua não precisa
provar lamber comer chupar
para saber  o gosto
do amargo fel dessa estrada
que nela se desova
toda cruel veracidade
com toda essa podridão
que se espalhou pela cidade





Artur Gomes Fulinaíma
do livro inédito - FULINAIMAGEM
contatos: Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1268 - whatsapp



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Santa Loucura Santa




·        



Convite

convido todos os amigos amigas poetas, músicos, atores, atrizes e interessados em geral, para uma reunião nesta terça 12 de novembro a partir das 20:30h para falarmos dos objetivos e dos passos da campanha Santa Loucura Santa, em prol dos internos do abrigo João Vianna.

O mentor da ideia é o médico humanista Cesar Ronald Pereira, amigo de muitas e muitas caminhadas na luta por tempos mais humanos. O primeiro passo da campanha, se dará no próximo dia 28 a partir das 19h na Santa Paciência Casa Criativa.

Quem se interessar a se engajar nesta caminhada, mensagens no inbox (facebook), ou pelo e-mail
portalfulinaima@gmail.com 
 para passarmos o endereço da reunião.

Santa Loucura Santa, além de ser uma campanha em prol dos internos do abrigo João Vianna, é também uma proposta para performances com as múltiplas linguagens da Arte.

Artur Fulinaíma Gomes




domingo, 3 de novembro de 2019

XXI FestCampos de Poesia Falada



XXI FestCampos de Poesia Falada
Dias 7, 8 e 9 novembro - 19h
Local: Auditório do Liceu de Humanidades de Campos

Nos intervalos das apresentações das poesias concorrentes, estaremos numa Santa Balbúrdia, homenageando a poesia de Kapi (Antônio Roberto de Góis Cavalcanti), Antônio Roberto Fernandes e Luica Miners, com Adriana Medeiros, Cristina Cruz, e Ronaldo Jr. Além de abrir o microfone para todos os poetas e público presente interessados em fazer suas intervenções poéticas.

Com muito prazer anuncio a vinda de São Paulo do poeta e meu queridíssimo amigo César Augusto de Carvalho, para leituras e lançamento do seu recém lançado livro  Curto Circuito.
Criado em 1999 pelo poeta, ator e produtor cultural Artur Gomes,  o FestCampos de Poesia Falada é uma realização da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima e este ano depois de muita luta volta a ser realizado  no seu formato original.


PROFISSÃO DE FÉ

para Antônio Roberto de Góis Cavalcanti (Kapi)

Perdeu-se a rara e rica rima
sem cópia, raspa ou rascunho,
na casa ampla de minha cabeça vazia.

Onde ficou a palavra dita estalo,
fechou-se um mundo de silenciações
perdida na frase que me salvaria.

Sem voz nem voto nem ponto nem vírgula,
a poética se instala plena de perplexidade,
tentando (re)parir as ideias ou trazê-las à luz

como um filme gravado na memória,
(re)organiza estrofes para restaurar a história
que (re)significa o texto por vontade de ser

vai costurando vácuos e versos
em frágeis leituras e poemas imersos
nas entrelinhas da obra quase acabada.

No que não se exclui de tal esforço o preço
de vida e morte em cruel e fatal (re)começo,
no que for de cruz ou de inspirado instante,

mas dor e processo inconteste
posto que inconstante.

Amélia Alves
do livro No Reverso do Viés
Ibis Libris - 2015



Artur Gomes Fulinaíma
Fulinaíma MultiProjetos
contatos: portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsapp



sábado, 2 de novembro de 2019

FULINAIMAGEM



FULINAIMAGEM

mais breve que
                      ponteiros de relógios
o amor roeu os ossos
comeu a cartilagem
                  da linguagem dos negócios

minha vida de cachorro
não está pra peixe inteligente
tenho cohorado
                         as mortes que não tive
                         o morto que ainda vive

tem gente que aterroriza
minha pobre paciência
                        tamanha a indecência
dos seus discursos de bestas
da sua língua de bosta

Artur Gomes Fulinaíma
do livro inédito - FULINAIMAGEM

 


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

esse poema é foda



Nathália me chama de monstro
diz que esse poema é foda e está apenas começando a ler o livro e cada poema ela gosta mais que o outro.
"você é foda cara
na boa, não tem outra definição
Puta que Pariu
Que poema! Meus Deus você é monstro"

Nathália Florido Osório

sei que de certa forma é por isso que o leitor treme ao dar de cara com essas Juras Secretas. para melhor entendimento ao lê-las como disse Vítor Lima, "nada melhor que lê-las bebendo um vinho ao som de Erice Satie"

Juliana é responsável por muitas Juras Secretas e já estava cravada na Traição das Metáforas, mas com ela foi conhac no Bolero Blue.

Artur Gomes



terça-feira, 29 de outubro de 2019

Jura Secreta 48




Jura Secreta 48 
sagarínica  fulinaimânica 

não sou iluminista nem pretender 
eu quero o cravo e a rosa 
cumer o verso e a prosa 
devorar a lírica a métrica 
a carne da musa 
seja branca negra amarela 
vermelha verde ou cafuza 

eu sou do mato 
curupira carrapato 
sou da febre sou dos ossos 
sou da Lira do Delírio 
São Virgílio é o meu sócio 

Pernambuco Amaralina 
vida breve ou sempre vida/severina 
sendo mulher ou só menina 
que sendo santa prostituta 
ou cafetina devorar é minha sina 
e profanar é o meu negócio 


 Artur Gomes 
do livro Juras Secretas
Editora Penalux - 2019







segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Artur Gomes


terra de santa cruz

ao batizarem-te
deram-te o nome:
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salgado mar de fezes
batendo nas muralhas
do meu sangue confidente
quem botou o branco
na bandeira de alfenas
na certa se esqueceu
das orações dos penitentes
e da corda que estraçalha
com os culhões de Tiradentes


salve lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rendez-vous de impérios atrás

meu coração
é tão hipócrita que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram
no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta

só desfraldando
a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
dessa terra tão servil
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

1º de Abril

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra a escuridão

na rua sob patas
tombavam homens indefesos

esperei-te 20 anos
ate hoje não vieste à minha porta

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal quarta feira
na Geléia Geral brasileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my Brazyl

minha verde/amarela esperança
Portugal já vendeu para França
e coração latino balança
entre o mar do dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que há muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupy & rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná

o sangue rola no parque
o sonho ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
e muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank


ó baby a coisa por aqui
não mudou nada
embora sejam outras
siglas no emblema

espada continua a ser espada
poema continua a ser poema



Indigesta

ê fome negra incessante
febre voraz gigante
ê terra de tanta cruz

onde se deu primeira missa
índio rima com carniça
no pasto pros urubus

oh! myBrazyl
ainda em alto mar
Cabral quando te viu
foi logo gritando:
terra à vista!
e de bandeja te entregando
pra união democrática ruralista.

por aqui nem só beleza
nesses dias de paupéria
nação de tanta riqueza
país de tanta miséria


 olho de lince

onde engendro
a Sagarana

invento
a Sagaranagem

entre a vertigem
e a voragem

na palavra
de origem

entre a língua
e a miragem
São Bernardo e Diadema 


mordendo: o vírus da linguagem
no olho de lince do poema


Artur Gomes
poemas do livro Pátria A(r)mada
Editora Desconcertos - 2019
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsapp

Artur Gomes é poeta, ator, videomaker e produtor cultural. Tem diversos livros publicados, sendo os mais recentes Juras Secretas (Editora Penalux, 2018) e Pátria A(r)mada (Editora Desconcertos, 2019). Dirigiu a Oficina de Artes Cênicas do Instituto Federal Fluminense  em Campos dos Goytacazes-RJ de 1975 a 2002. Em 1983, criou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira e, em 1993, idealizou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira Mário de Andrade — 100 anos — realizada pelo SESC São Paulo. Atualmente, leciona Poéticas no Curso Livre de Teatro em Campos dos Goytacazes-RJ e coordena a Balbúrdia Poética na La Taberna de Laura, no Rio de Janeiro  e a  Santa Balbúrdia na Casa Criativa Santa Paciência em Campos dos Goytacazes. Acaba de gravar no home studio Fil Buc — Produções o disco Poesia Para Desconcertos, com produção de seu filho Filipe Buchaul.