terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sax blues poesia


Sax Blues Poesia
Artur Gomes - voz - poesia
Dalton Freire - Sax - Flauta
Álvaro Manhães - voz e violão
Dia 6 - fevereiro 20:00h
Tenda Para Todos - Farol de São Tomé
Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Ind/Gesta

não prego prego sem estopa
nem tapo o sol com a peneira
não troco manguinhos por mangueira
nem pulga por carrapato
eu sou a mosca
que pousou na tua sopa
a pedrinha
que entrou no teu sapato

Artur Gomes



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mostra Cinema Ambiental

Mostra Cine Ambiental
exibição de  curtas mostrando a situação
ambiental de diversas cidades brasileiras
27 - janeiro - 2018 - 21:00h
Estação 353 - São Francisco do Itabapoana

sem meias palavras ando descalço
pra pisar a lavra da palavra chão

Studio Fulinaíma Produção Audiovisual



EuGênio Mallarmé

Meu ator preferido desabafava ontem comigo sobre as dificuldades de subir ao palco hoje para interpretar grandes personagens. Para ele não há mais diretores e produtores preocupados em produzir teatro, e sim, entretenimento, besteirol, stand up. Discípulo direto de Antonin Artaud reclama desse vazio monumental fazendo com que grandes atores se exilem dentro do seu próprio corpo.

Cristina Bezerra

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.

Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.
Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.
Este Artaud, mas, por falta do que fazer…
Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.




terça-feira, 21 de novembro de 2017

poÉtika 68


poÉtika 68

era para ser assim como se foice
no papel de seda era língua e sangue
unhas muitos dedos dentes
nos teus céus de boca
era assim como se fosse
meus olhos no cinema
nos teus olhos presos
e o destino do poema teus lábios indefesos

Artur Gomes
www.fulinaimicas.blogspot.com

sábado, 18 de novembro de 2017

tropicalirismo



Tropicalirismo

Girassóis pousando
nu teu corpo: festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva de saliva doce

Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva


Algaravia

eu  sou o vento
que remove teus cabelos
e repousa em sua face
a outra face do que sente
mas não vê
a palavra que um dia
escreverá - algaravia
nas películas da memória
da ficção que entender

come poesia menina
come poesia
pois não há mais metafísica no mundo
do que comer poesia


Federico Baudelaire


voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

entre o sonho e o sossego
 :
o pesadelo

Federico Baudelaire

domingo, 12 de novembro de 2017

jura secreta 55



jura secreta 55

1

Xangô é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço
faz do meu colo teus braços

Oxossi é carne da mata
Yansã é fogo vento tempestade
Yemanjá água do mar
Oxum é água doce

Oxalá em ti me trouxe
te canto como se fosse u
m novo deus em liberdade

2

sou teu leão de fogo
todo jogo que me propor eu topo
beber teu copo comer da tua comida
encarar de frente  a janela de entrada
e se for preciso a porta de saída



 Artur Gomes 

sábado, 11 de novembro de 2017

Pontal Foto.Grafia


pontal.foto.grafia

Aqui,
redes em pânico pescam esqueletos no mar
esquadras - descobrimento espinhas de peixe convento
cabrálias esperas relento escamas secas no prato
e um cheiro podre no AR

caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos

último suspiro da bomba na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí

as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí

as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui.

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues

que mar eu bebo afinal? 

Artur Gomes

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

juras secretas



Jura secreta 104
para Celso Borges e Lilia Diniz

faz escuro mas eu canto
Thiago de Mello

eu sou quem morre e não deita
Salgado Maranhão

pros meus afins está difícil
por isso esse novo canto
se o  dia  não amanhecer

Querubins e Serafins
o que será de Parintins
Bumba-Meu-Boi
o que será ?

Maranhão meu São Luiz
o que será de Imperatriz
do povo/boi o que será
do povo/boi o que vai ser?




Jura secreta 75

é abissal
o cheiro de esperma e susto
não fosse o ópio
nem cem anos de solidão
provocaria tal efeito
o peito estraçalhado
por dentes enigmáticos

Monalisa
sangra na Elegia do agora
cada deusa tem seu templo
cada mulher tem sua hora

Artur Gomes